sexta-feira, 20 de abril de 2012

Radio Indie apresenta: Bárbara Bigon entrevista THE FIRST LIMBO

Começou em 2009, mas apenas se concretizou ano passado (2011), um projeto que poderia ter começado em qualquer momento dos anos 90. Confuso? Eu explico. Os irmãos Vinícius e Marcelo Lara começaram a se interessar por música desde cedo. Vinícius, que é quatro mais velho, preferia Red Hot Chili Peppers, Marcelo gosta mais de Beatles. Mas com o tempo, os dois se aproximaram, os gostos se tornaram parecidos e a diferença de idade passou a não importar tanto assim. Graças a isso, depois de um ano de gravações e trabalho duro, saiu o primeiro EP da dupla, The First Limbo. Nessa entrevista vamos falar um pouco do começo da dupla, do crescimento, do mundo particular desses dois irmãos de Porto Alegre. (Bárbara Bigon, para a Radio Indie)


RI: Vocês são de Porto Alegre, certo? Cresceram por lá?

Vinícius: Nascemos aqui na província (risos), moramos até hoje.

RI: E como foi o primeiro contato de vocês com a música ?

Marcelo: O contato que eu lembro foi com o desenho dos Beatles, "Yellow Submarine". Depois disso não teve mais volta.
Vinícius: Pra mim foi os anos 90, Red Hot Chili Peppers, Weezer, Silverchair, Foo Fighters.
Marcelo: Bons tempos.
Vinícius: Comecei a achar cativante a ideia de ser e fazer música. Pode-se dizer que foi nos tempos áureos de MTV, que rolava top10, etc. Bons tempos. Mas só fui começar a tocar violão quando entrei no segundo grau tinha uns 14, 15 anos, acho.

RI: Vocês começaram a fazer aulas juntos?

Vinícius: Não, eu comecei bem antes. E depois de alguns anos, o Marcelo começou a tocar piano.

RI: Como era a convivência de vocês naquela época? E agora?

Vinícius: Temos quatro anos de diferença e na época a diferença era gigantesca.
Marcelo: Sim, mas não rolava rixas nem brigas típicas de irmãos.
Vinícius: Hoje em dia equiparou os gostos e os pensamentos, nunca chegou a ser algo do tipo ‘Gallagher's brothers’ (risos).
Marcelo: Tanto equiparou que acabamos montando essa banda.

RI: Como foi essa mudança, essa passagem de grandes diferenças para uma parceria ?

Vinícius: Acho que começamos a descobrir gostos em comum, a conversar mais. Eu apresentei mais Red Hot pro Marcelo, e ele me mostrou mais Beatles, acho que esse foi o grande início (risos).
Marcelo: Rolou um intercâmbio benéfico de gostos musicais.
Vinícius: Hoje em dia nossos gostos são praticamente iguais, até pra filmes, quadrinhos etc.
Mas acredito que o que nos juntou mesmo, foi a música, ela nos fez ficar mais próximos.

RI: E até onde essa parceria vai, na hora de fazer as músicas, quem escreve e quem faz a melodia? Ou é um trabalho em conjunto ?

Vinícius: Então...
Marcelo: O Vinícius compôs a maioria das músicas que temos no momento. A melodia nós costumamos trabalhar bastante juntos.
Vinícius: Eu tenho outra banda que eu componho em português, mas paralelo a isso, eu acho muito bonito a língua inglesa.

RI: A Big Richards?

Vinícius: Isso, então... Eu comecei a compor em inglês,sem pretensão nenhuma, e foi em um momento da minha vida que eu "soltei" umas 5 músicas.

RI: Para quem? Como foi isso?

Vinícius: (Risos)
Marcelo: (Risos) essa vai ser boa.
Vinícius: As velhas e boas 'relationships', né, acontece. E nessa época o Marcelo já estava tocando piano e eu pensei: “Isso não tem nada a ver com a Big Richards”. Até por serem em inglês, e por pedirem um casamento com piano. Mostrei pra ele, e logo em seguida já estávamos compondo.
Marcelo: Geralmente um de nós vem com uma melodia e trabalhamos ela em conjunto. As letras nós também revezamos na autoria.
Vinícius: Exato, por exemplo, nesse nosso primeiro EP, tem quatro músicas que eu escrevi e tem uma ("Perceptions from the hill") que fizemos em parceria a letra.


RI: Vocês citaram bastante Red Hot e Beatles eles são as suas maiores influências?

Vinícius: Sim, talvez em um primeiro momento, logo no início das composições, acho que o mais do Red Hot que a gente cite. É a parte do John Frusciante, na carreira solo, somos grandes fãs dele. Acho que atualmente, os Beatles pegam mais.

RI: São dois estilos bem diferentes, como vocês organizam isso?

Marcelo: Para essa banda, nós pegamos várias bandas que gostamos em comum que se encaixam com ela.
Vinícius: Radiohead, Sean Lennon, Arcade Fire, City and Colour…
Marcelo: Isso. Esses são exemplos de bandas.
Vinícius: Essas bandas, são as quais queremos soar mesmo, mas Beatles e Red Hot já estão no nosso DNA.

RI: E quanto aos temas, o que inspira vocês a fazer uma música?

Vinícius: Agora rolou um mix, atualmente, como eu disse, as primeiras composições foram influenciadas por relacionamentos.
Marcelo: Rola bastante temas pessoais. Até porque o tipo de música pede, mas também situações da rotina.
Vinicíus: Exato, por exemplo, a “There's no Place Like Home” escrevi vendo o filme Into the Wild (Na Natureza Selvagem). “Perceptions from the hill”, no título é uma homenagem para Fool on the Hill, dos Beatles. “Blue Day” já é uma letra mais existencial, a First Limbo é sobre tudo o que acontece comigo e com o meu irmão.
Macelo: E a “I'll be yours” é para vender CD (risos).
Vinícius: É praticamente um diário. A “I'll be yours” tem uma história engraçada. Lembro que eu tinha feito ela e quando mostrei pro meu irmão, ele meio que chutou o refrão. E eu achei muito mais bonito e melódico, então deixamos a ideia dele. Que contribuiu muito pra musicalidade dela, o nosso método de composição atual é bem mais dividido. Faço algumas partes da letra, outras o Marcelo reescreve e a gente debate sobre o que pode ser bom pra escrever. Ele me diz sobre o que ele está querendo passar no momento e vice-versa

RI: Há quanto tempo estão trabalhando juntos? Melhor dizendo, quanto tempo trabalharam para chegar a esse resultado ?

Vinícius: Acho que desde que eu comecei a compor, desde 2009, mas assim... Pra disseminar pro grande público foi só ano passado. Decidimos gravar e apostar no projeto, como algo sério e concreto vimos que estavam nascendo muitas ideias.

RI: E como foi esse processo de gravação e divulgação? Aliais como vocês divulgaram e divulgam o projeto?

Vinícius: A gente gravou no home studio de um grande amigo nosso, o Pedro Mello (baixista da Big Richards).
Marcelo: Utilizamos bastante as mídias sociais para a divulgação.
Vinícius: Gravamos tudo, voz, piano, guitarras, violas... Até ukelele.
Marcelo: E temos um website. (http://www.thefirstlimbo.com/), e uma página no face (https://www.facebook.com/thefirstlimbo).
Vinícius: Que agradecemos o Phillip por gravar (risos). E a divulgação é basicamente em redes sociais como o Marcelo falou.
Marcelo: Grande Philipp.
Vinícius: Como o trabalho é independente, nós que produzimos as levas de CDs e queremos enviar mais cds ainda, pra gravadores, blogs, etc.

RI: No site, nele vocês explicam o nome da banda. Mas como chegaram a The Firts Limbo ?

Marcelo: O nome veio principalmente de um jogo chamado Limbo (o jogo é para ps3).
Vinícius: Estávamos em uma fase pra mudar o nome. Antes a nossa dupla se chamava "Empty Box" mas descobrimos que é comum demais na gringa.
Marcelo: O ‘first’ veio logo em seguida, o Vinícius achou que combinava.
Vinícius: E a gente achou a estética do jogo genial. E o jogo em si era demais.


RI: A explicação histórico-literária veio só depois?

Vinícius: É que na verdade, a palavra limbo é forte e instigante. Claro que algumas das explicações do texto já conhecíamos, tipo a do Lost (seriado), que somos mega fãs.
Marcelo: Achei que seria interessante colocar várias explicações para o Limbo. Que infelizmente teve aquele final. E filmes como o Inception (A Origem).
Vinícius: É muita “nerdice” de referência também. Mas, enfim, achamos legal criar um texto criativo e explicativo. Onde no final, o que mais importa é a nossa ideia de limbo, o primeiro limbo.
Marcelo: Que seria um som que poucos podem escutar.
Vinícius: Onde tudo se transforma em som e melodia.
Marcelo: Pois é, viajamos muito. Mas ficou legal.
Vinícius: O limbo é onde só nós conseguimos criar e nos encontrar, ou seja, é o nosso mundo.

RI: E pra onde esse mundo particular planeja ir agora? Depois do primeiro EP feito, com um vídeo sendo editado e muitas ideias na cabeça ?

Vinícius: A ideia é disseminar esse mundo. Produzir mais material sobre a banda, mais vídeos, mais músicas.
Marcelo: Com certeza. De preferência, internacionalmente. E claro, tocar em festivais e fazer shows.
Vinícius: Temos um show de lançamento. Dia 28 de abril, no Café da Oca em Porto Alegre às 22h. Que por sinal, será apresentado a The First Limbo com novos integrantes, agora temos um baixista, guitarrista e percussionista e mais além, uma violinista, enfim.

RI: Quem são os novos integrantes?

Vinícius: O baixista Matheus de Lavra (Samamba), o guitarrista Lorenzo Tassinari (Clapton) e André Menna (o Menna Sabe) na percussão.

RI: E o vídeo, quando fica pronto ?

Marcelo: Provavelmente antes do show. Queremos usá-lo como divulgação.
Vinícius: Nesse momento estou falando com o responsável pela edição, acredito que semana que vem está pronto. Mas não é um videoclipe oficial, é um promocional. Mas vai ficar fantástico.

Confira abaixo o videoclipe de “Perceptions From The Hill” ao qual dupla se refere na entrevista que nos concedeu. Segue também uma playlist com as faixas do primeiro EP deles que você pode baixar em www.thefirstlimbo.com. Vai lá.

Seleção Musical de Ricardo Pereira.

01 – THE FIRST LIMBO, “Perceptions From The Hill”
In: The First Limbo [EP], 2012.

02 – THE FIRST LIMBO, “I’ll Be Yours”
In: The First Limbo [EP], 2012.

03 – THE FIRST LIMBO, “The Prize”
In: The First Limbo [EP], 2012.

04 – THE FIRST LIMBO, “There’s No Place Like Home”
In: The First Limbo [EP], 2012.

05 – THE FIRST LIMBO, “Blue Day”
In: The First Limbo [EP], 2012.

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Confira o videoclipe de "Perceptions From The Hill" com The First Limbo:

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